sábado, 31 de janeiro de 2009
sábado, 3 de janeiro de 2009
Monólogo

Tu nunca se sentiu assim antes. Por que perguntas?
É como se tu fosses à casa casa mais colorida, da pessoa mais colorida do mundo. Logo ali à beira-mar.
Sem roupas, sem as amarras, sem pré-conceitos.
Careca, sem ornamentos menores ou maiores, sapatos ou idéias.
Inerte à vida anterior que deixaste para trás sem maiores medos, angústias ou sensações.
Despida de pudores. Nua.
Tu te entrega.
És recebida com a coroa de flores mais bonitas da vastidão dos universos.
Uma cerimônia cheia de honras.
Mas no dia seguinte... Ah, no dia seguinte! Antes de tudo se concretizar...
Acordas afogada na vestidão de um oceano forte, pesado, invencível.
Afogas nas ondas indomáveis da realidade divina. Teus sonhos se afogam contigo.
Aquele corpo antes cheio de cores evida afunda.
Tu tentas nadar para salvá-lo, mas algo de puxa para superfíceie.
Tu queres afundar e a falta de ar te obriga a voltar.
Sufocada, tentas respirar a última nesga de ar. E és repelida para a areia... Inerte, Nuca, quase sem vida.
Sonhos tornanam-se fantasmas e te atormentam.
E o senhor da morte sorri diante do teu túmulo.
Tu sobrevive. Exala vida e lágrimas.
O mar te chicoteia e com sal lava tuas feridas.
Dói na tua pele, arde, incendeia, mata.
Inconsolável. Invisível. Incompreensível.
Mas tu voltas. Zonza., ofegante, trêmula, só.
O fim chega e tu segue em busca de uma luz que te faz acreditar que as tempestades machucam, matam, mas trazem de volta à terra as pérolas mais brilhantes do fundo dos oceanos da verdade.
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